terça-feira, 25 de outubro de 2016

Desafios na construção de grupos na saúde da família: O que a psicologia pode ajudar?

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“Não são as ideologias e sim os indivíduos que fracassam em suas tentativas de construir um mundo melhor, por que na sua práxis institucional este mundo não ultrapassa as fronteiras de seus próprios egos" (ZIMERMAN, 1997).




É sabido que diversos profissionais que se consideram aptos em concursos públicos para trabalhar na área de saúde da família, por vezes, não se encontram preparados para realizar atividades em grupos, melhor dizendo “liderar”.
Diante deste fato, entende se que antes mesmo que haja proposta de atenção permanente, seja realizado capacitações, e se for o caso, cursos com profissionais habilitados na área, para que assim, possa haver compartilhamentos do saber, em que o profissional que se encontre inserido na estratégia de saúde da família sinta-se seguro do trabalho que está prestes a realizar.
Verificou-se na literatura renomados nomes de autores da psicologia e psiquiatria, que vem contribuindo com desenvolvimento e aprimoramento de atividades em grupo.
Nota se que desde aproximadamente o século XIX, surgiram especialmente no ramo da medicina autores em destaque, que comprovaram a importância do trabalho em grupos na saúde com seus pacientes. Um exemplo disso é o autor J. Prat, americano, que em 1905, diante de pacientes com tuberculose teve a ideia da formação de grupos por diagnóstico, visto que os atendimentos individuais não haviam adesão coerente, tanto medicamentosa, comportamental, como também em questões psicológicas, como sentimentos de vergonha, e exclusão (ZIMERMAN, 1997).
Visto estes aspectos, percebeu-se a necessidade de compartilhar saberes e angustias, Prat criou o método denominado “Classes coletivas”, em que através destes grupos podia se abertamente discutir questões relacionadas a higiene e problemas próprios da doença. Na realização deste grupo, foram verificados resultados positivos, principalmente em questões a respeito da recuperação da doença (ZIMERMAN, 1997).
Não obstante, após 1935 iniciam-se os Alcoólicos Anônimos que até os dias de hoje há repercussão no trabalho em grupo.
Autores como Freud, J Moreno, W.R. Bion, contribuem com sua bagagem de enorme importância para que haja aprofundamento no conhecimento da psicologia em trabalho com grupos, no entanto, será focado as principais premissas para se trabalhar com grupos na estratégia de saúde da família, possibilitando auxiliar os leigos na sua pratica em direção à construção e trabalho em grupos.
Neste trabalho buscou-se apresentar alguns fatores indispensáveis para quem realiza, ou pretende realizar trabalhos com grupos, elencando estratégias que a ciência psicológica contribui para formação de grupos, como processo de seleção de pessoas para grupos, alguns tipos de grupos existentes, e algumas características esperadas para um coordenador de grupo.

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Breve Histórico da Psicologia e Grupos

Ao longo da história tem se observado que o homem tem se desenvolvido através da aprendizagem e influência de outros.
Nota-se que há muitos teóricos que com suas defesas em pesquisas referem se á fatores inatos, outros, fatores orgânicos, ambientais, entre tantos outros mais que se influenciam, no entanto, o que fica claro é que o homem em sua finitude e sobrevivência necessita estar em convivência em grupos, seja ele constituído por sua cultura, raça ou crenças diversas.
O homem em sua concepção busca por modelos, por isso desde sua infância participa de diferentes formas de grupos, ou seja, família, escola, amigos, coleguinhas de brincadeiras de rua, entre outros no decorrer do desenvolvimento.
Compreende-se o que Zimerman et. al. (1997) destaca como: “a importância do conhecimento e a utilização da psicologia grupal decorre justamente do fato de que todo indivíduo passa a maior parte do tempo em sua vida convivendo e interagindo com distintos grupos”.
Ao se falar em história e sua contribuição para construção de grupos na área da saúde, não pode ser deixado que passe por despercebido o profissional médico, que foi um dos fundadores do trabalho em grupos na saúde, um dos exemplos primordiais é o dr. J. Pratt, que em 1905 em uma enfermaria agrupou pacientes com diagnostico de tuberculose, que possuíam dificuldades na adesão ao tratamento, como exemplo, sentimento de vergonha (ZIMERMAN, 1997).
As reuniões eram realizadas em salas, como se fosse salas de aula, em que os que tinham mais interesse, e se mostrassem mais envolvidos eram premiados, podendo ocupar as primeiras filas da sala (ZIMERMAN, 1997).
No decorrer da história de grupos, pode se destacar autores que colaboram com tamanha importância na construção de grupos.

Freud por sua vez, trouxe para a psicologia de grupos diversas e relevantes contribuições, mesmo que não tenha realizado trabalhos específicos na área de grupos realizou importantes trabalhos, como exemplo algumas de suas obras que podem ser citadas, como: Totem e Tabu (1913), A Psicologia das massas e analise do ego (1921), entre outros, revelam que “...o êxito que a terapia passa a ter no indivíduo haverá de obtê-la na coletividade” (ZIMERMAN, 1997).
Autores como J. Moreno, que em 1930 introduziu a expressão “terapia de grupo”, diante de sua paixão por teatro, de suma importância citar que realizou trabalhos com pessoas que buscavam por ajuda e que através da interpretação de problemas conseguia desenvolver um setting terapêutico, chamando a de psicodrama (ZIMERMAN, 1997).
Kurt Lewin por sua vez, cria:
“a dinâmica de grupo, mudando o conceito de “classe”, por de “campo”, desenvolvendo estudos sobre o “campo grupal” e formação de papeis, em que ele postulava que qualquer indivíduo, por mais ignorado que seja, faz parte do contexto do seu grupo social, a influência e é por este fortemente influenciado e modelado” (ZIMERMAN, 1997).

S.H.Foulkes, psicanalista, considerado o líder mundial da psicoterapia analítica de grupo, com enfoque gestáltico, acredita na importância de interpretar a totalidade grupal (ZIMERMAN, 1997).
Um dos importantes nomes também se refere a Pichon Riviêre, que tem um grande conceito na área de grupos operativos, com objetivo de ensino aprendizagem, focado em uma tarefa objetiva (ZIMERMAN, 1997).
Também um grande nome na construção de grupos refere-se a W.R. Bion, que criou conceitos acerca da dinâmica do campo grupal (ZIMERMAN, 1997).
No Brasil, nomes como Alcíon B. Bahia e David Zimmermann são de grande importância para ampliação do trabalho com grupos e espalham conhecimentos sobre definições e estratégias de grupos, trabalhos que se tornam fundamentais para qualquer pessoa que deseja realizar atividades em grupo.
Não podemos deixar de expor que um grande trabalho que tem tido repercussão no Brasil, é a abordagem da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), que através de Albert Ellis em 1959, desenvolve a teoria reacional emotiva comportamental TREC, sendo uma abordagem psicoeducacional, ativa e diretiva, sendo breve, de oito a quinze sessões, de duas horas por semana, sendo que não se deve passar de doze pessoas (LIPP et. al. 2012).
Podendo ocorrer a presença de um coterapeuta, que realiza observação, faz anotações e se houver necessidade atua com os participantes (LIPP et. al. 2012).
O que se nota, é que tanto na abordagem psicanalítica, gestáltica, ou cognitivo comportamental, o trabalho realizado com grupos tem tido diversas repercussões para diversas indicações, seja ansiedade, fobias, agressividade, doenças diversas, dor crônica, assertividade, casais, família, drogadictos, entre tantas outras.
No Brasil, diante de aspectos socioeconômicos e dificuldades na inserção de profissionais, quando se trata de trabalhos realizados na rede pública, torna-se cada vez maior a necessidade de trabalhos em grupo, seja de orientação, psicoterapêutico, educacional, para promoção, prevenção, ou recuperação de danos.

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Alguns Tipos de Grupo

Para um bom desenvolvimento de trabalhos com grupos, faz se necessário o conhecimento de modalidades de grupos, para que assim possa se desenvolver um planejamento adequado de grupos.
Os grupos podem ser de maneira mais específica: grupos homogêneos e/ou heterogêneos, grupos abertos ou fechados, dependendo da finalidade a qual pretende se alcançar e objetivo do grupo a ser trabalhado.
Não se deve deixar de lado um importante fator, que é distinguir se o grupo terá finalidade terapêutica ou operativo, partindo deste ramo para construção do setting.
Nos grupos operativos, “a atividade do coordenador deve ficar centralizada unicamente na proposta” (ZIMERMAN, 1997).
O grupo de ensino aprendizagem, pode se descrever como um grupo cujo objetivo é aprender. Também muito utilizado como grupo operativo são os institucionais, em que a organização se utiliza de reuniões para seu pessoal com intuito de investir conhecimentos, centrado na tarefa com objetivo em questão (ZIMERMAN, 1997).
Já grupos comunitários, tem tido grande repercussão, principalmente ao que se refere a grupos em programas de saúde mental.
Os grupos comunitários, podem abranger uma série de temas, que sejam demandas necessárias da comunidade, podendo o coordenador de grupo ser criativo, sendo que técnicos de diversas áreas podem ser bem capacitados para realização da tarefa, em que deve se buscar a integração e o incentivo do que os participantes tem de melhor, e mais que isso, sempre respeitar e ter conhecimento de seus limites; Neste tipo de grupo o profissional pode trabalhar aspectos psicoeducacionais, de promoção e prevenção à saúde, como exemplo grupo de gestantes, pais, crianças, como também grupo com líderes naturais da comunidade, que buscam discutir políticas públicas e sociais para melhoria das condições de vida, entre outros aspectos (ZIMERMAN, 1997).

Grupos terapêuticos, ou seja, grupos terapêuticos operativos tem como objetivo a melhoria na patologia, seja orgânico, ou psíquico, este grupo é também conhecido como de autoajuda (ZIMERMAN, 1997).
É notável que os indivíduos que se encontram com aspectos iguais têm condições de se ajudarem reciprocamente, alguns exemplos de grupos deste tipo são: adictos (tabagistas, obesos, drogadictos, etc.), cuidados primários de saúde (hipertensos, diabéticos, etc.), de reabilitação (mutilados), de suporte (pacientes terminais, crônicos, etc.), psicoterápicos (ZIMERMAN,1997).
Zimerman (1997) relata:
“em atenção às peculiaridades de um país pobre e populoso como é o nosso, a utilização do recurso grupoterápico tem tudo para ser uma alternativa de grandes perspectivas, até agora não suficientemente exploradas”.

O coordenador de grupo deve realizar o planejamento, a finalidade, escolher as técnicas, quantidade de pessoas, e quem são os participantes, sendo necessário distinguir se o grupo será fechado, ou seja, iniciando e terminando com os mesmos membros escolhidos, ou abertos, podendo iniciar com uma quantidade de membros, podendo incluir mais pessoas participantes no decorrer do processo.
Também cabe ao coordenador de grupo definir se será homogêneo, sendo que neste são escolhidos os participantes por aspectos/ características similares, por exemplo, portador da mesma patologia, grupos de psicóticos, ou grupos heterogêneos, que são pessoas que participam com demandas diferenciadas, por exemplo, grupos terapêuticos.


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Características Esperadas Para um Coordenador de Grupo


Percebe-se que muitos profissionais ao serem inseridos na rede pública de saúde, sendo mais especifico, na Estratégia Saúde da Família, não estão aptos em sua grande maioria na condução de grupos, fazendo-o em forma de “aula”, em que os profissionais passam a transferir o conhecimento, sendo o locutor e os pacientes/clientes recebem as informações sendo apenas receptor.
Para tanto, nota-se que tem se obtido uma ação com pouca significação, considerando que em grande parte os pacientes/clientes não se envolvem com os outros integrantes, ou com o tema abordado, sendo informações captadas muitas vezes sem interesse, talvez, não por que não seja interessante, mas porque não se identificou a importância do tema, ou não se chegou a realizar correlações com sua realidade, e até mesmo não integrou o fenômeno de forma existencial.
Perante tais observações, entende-se a necessidade de elencar neste artigo algumas características que um coordenador de grupos deve desenvolver para melhor integração de seus membros e dos próprios para com o coordenador.
Para Zimerman (1997) é importante destacar que:
“Além de necessários conhecimentos (provindos de muito estudo e leituras), de habilidades (treino e supervisão), as atitudes (um tratamento de base psicanalítica ajuda muito) são indispensáveis, e elas são tecidas com alguns atributos e funções, como as relacionadas a seguir:
Gostar e acreditar em grupos.
Ser continente (capacidade de conter as angústias e necessidades dos outros, e também as suas próprias).
Empatia (poder colocar-se no lugar do outro e assim manter uma sintonia afetiva).
Discriminação (para não ficar perdido no cipoal das cruzadas identificações projetivas e interjetivas).
Novo modelo de identificação (contribuir para a importante função de desidentificação e dessignificação de experiências passadas, abrindo espaço para neo- identificações e neo-significações).
Comunicação (tanto como emissor ou receptor, com a linguagem verbal ou não verbal, com a preservação de um estilo próprio, e como uma forma de modelo para os demais do grupo).
Ser verdadeiro (se o coordenador não tiver amor às verdades e preferir não enfrentá-las, não poderá servir como modelo para o seu grupo, eu melhor será trocar de profissão).
Senso de humor (um coordenador pode ser firme sem ser rígido, flexível sem ser frouxo, bom sem ser bonzinho e, da mesma forma, pode descontrair, rir, brincar sem perder seu papel e a manutenção dos necessários limites).
Integração e síntese (é a capacidade de extrair o denominador comum das mensagens emitidas pelos diversos componentes do grupo e de integrá-las em um todo coerente e unificado, sem artificialismos forçados)”.





No que se refere a ética em grupo, faz se importante expor que um coordenador de grupo não deve, nem mesmo tem o direito de impor aos membros do grupo os seus valores, crenças e expectativas, também deve ser fiel ao mínimo de sigilo daquilo que lhe foi confiado.
Também de grande relevância, percebe-se três aspectos de fundamental importância, sendo eles o respeito, a paciência, e ser continente. O respeito se concebe na forma em que o coordenador desenvolve a capacidade de olhar para as pessoas da forma mais “neutra” que lhe seja possível, ou seja, sem atribuir-lhes papéis, rótulos, perspectivas que desde sua infância lhe foram ensinadas; sobre a paciência, apesar dessa palavra estar vinculada à ideia da passividade, para um coordenador de grupo a paciência é totalmente o oposto a isso, sendo entendida como uma atitude ativa, assim como descreve Zimerman (1997), “um tempo de espera necessário para que uma determinada pessoa do grupo reduza sua possível ansiedade (…), adquira uma confiança basal nos outros”.
A função continente refere-se à capacidade que o coordenador possa conter as emoções do campo grupal, contendo suas próprias angustias (ZIMERMAN, 1997).
Um aspecto primordial é perceber se os membros do grupo sabem pensar as ideias, os sentimentos, bem como saber escutar os outros, assumir responsabilidades, estabelecer confrontos e no mais, identificar o que é dele e o que é do outro (ZIMERMAN, 1997).
Merece destaque a frase que Zimerman (1997) se refere a liderança, sendo que ele aponta que “o modelo das lideranças é o maior responsável pelos valores e características de um grupo, seja ele de que tipo for”.
De acordo com Lipp et. al. (2012) o terapeuta tem um papel que busca auxiliar os integrantes do grupo, sendo um educador, ensinando técnicas, definir objetivos a serem trabalhados, e se for o caso é proposto tarefas de casa e assim contribuir com a ajuda na identificação e correção de erros lógicos, buscando ter muito cuidado em não impor seus valores, mas sim, estar sempre incentivando os, buscando que se permitam ser sujeitos autônomos em sua forma de pensar, ser racional, e lógico, também deve se atentar para o cuidado em não dar atenção individual mais que quinze minutos, proporcionando a participação de todos (LIPP et. al., 2012).
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Processo de Seleção para Inserção em Grupo

O processo de seleção de pessoas para formação de grupos torna se indispensável, diante de tal planejamento e objetivo almejado.
Faz se necessário saber escolher quais pessoas possuem tais características desejáveis para criação do grupo, e mais que isso, deve ser considerado no processo de seleção se o grupo será aberto, fechado, homogêneo, e/ou heterogêneo, para que se possa realizar a escolha dos participantes.
Assim como aponta Chiavenato (2010), “a seleção constitui a escolha exata da pessoa certa para o lugar certo e no tempo certo”.
É fato que para selecionar pessoas para participarem de grupos vai depender bastante da demanda e objetivos propostos pelo coordenador.
Torna se claro que alguns tipos de grupos como os de classificação primária como grupos de hipertensos, entende-se que seja mais fácil a seleção, visto que o foco é o trabalho a critério de diagnóstico, considerando que o foco estará em maior parte na prevenção e reeducação dos integrantes do grupo.
Em grupos psicoterápicos é imprescindível que se tome certo cuidado na seleção dos participantes, pois há indicações e contraindicações.
De suma importância faz se ter uma entrevista de seleção bem realizada, que se estruture de acordo com o que o coordenador quer avaliar, e também é preciso que se identifique se há necessidade de descobrir se a introdução do indivíduo no grupo é indicada a ele ou não.
Para tanto, é preciso buscar por conhecimento e observar os vários tipos de entrevista que há na literatura, no mais, segundo Bleger (2003), “a entrevista pode ser de dois tipos fundamentais: aberta e fechada”.
Compreende-se que na entrevista aberta o entrevistador consegue ser mais livre para perguntar ou intervir, podendo assim usar de flexibilidade para com o entrevistado, dependendo do caso. Já na entrevista fechada as perguntas devem estar prontas, tanto em sua ordem como em sua forma, em que o entrevistador possa se posicionar, sem poder alterar qualquer questão (BLEGER, 2003).
A entrevista, seja qual for o caso é sempre um fenômeno grupal, de acordo com que relata Bleger (2003), “mesmo com a participação de um entrevistado sua relação com o entrevistador deve ser considerada em função de psicologia ou de dinâmica de grupo”.
Conforme Bleger (2003) consulta não é o mesmo que entrevista e entrevista não é o mesmo que anamnese, sendo que a consulta é uma solicitação de ajuda, ou orientação de um técnico ou profissional, entrevista é um procedimento em que um profissional utiliza para atender uma consulta, e, não obstante, deixar claro que a anamnese não deve ser confundida com entrevista, visto que na anamnese o objetivo está na compilação de dados, reduzindo o paciente/cliente entre sua enfermidade e história de vida.
Aristides Volpato Cordioli e colaboradores em seu livro: Psicoterapias: abordagens atuais relatam exemplos de psicoterapias, suas indicações e contraindicações, tornando importante o conhecimento deste para profissionais da área de saúde mental que pretendem formar grupos ou precisam de embasamento.
Em relação a construção de grupos, de acordo com Cordioli et. al. (2008) pode ser destacados os grupos psicodinâmicos em que o objetivo principal será o de promover uma melhora das funções do ego dos participantes, tendo como foco intervenções na análise e de fenômenos transferenciais e de interpretações das defesas e resistências grupais que possam surgir.
Já os grupos em TCC têm seu foco voltado para problemas bem definidos, alguns exemplos são: fobias, habilidades sociais, etc.
A respeito de Contraindicações entende ser que aspectos como incompatibilidade, como regras que são estabelecidas no e pelo grupo, indivíduos que não suportam ou tem dificuldade em ambientar se num setting grupal, incompatibilidade com algum membro do grupo, ausência de controle de impulsos agressivos, boderline, histriônicos, anti social, psicóticos, depressão, etc. (CORDIOLI, et. al., 2008).


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Estratégias que a Psicologia pode Contribuir na Construção de Grupos


Há diversas formas de ser criativo na construção de grupos na estratégia de saúde da família.
Será apresentado no decorrer deste capitulo algumas estratégias de duas abordagens da psicologia que tem tido maior repercussão no desenvolvimento de grupos, que no caso será a Psicanalise e a Terapia Cognitivo Comportamental -TCC, e suas contribuições.
Um dos aspectos para o bom desenvolvimento do grupo é seu planejamento, em que o coordenador deve estar primeiramente apto a responder questões como as seguintes:
“Quem vai ser o coordenador? (Qual a sua logística, Qual seu esquema referência?,etc.). Para o quê e para qual finalidade o grupo está sendo composto? (É um grupo de ensino aprendizagem? De auto ajuda? De sáude mental? Psicoterápico? De família?.,etc.). Para quem ele se destina? (São pessoas que estão motivadas? Coincide com alguma necessidade por parte de um conjunto de indivíduos e que o grupo em planejamento poderá preencher? São crianças, adolescentes, adultos, gestantes, psicóticos, empresários, alunos, etc.?). Como ele funcionará? (Homogêneo ou heterogêneo, aberto ou fechado, com ou sem co-terapia, qual será o enquadre do numero de participantes, o número de participantes, o número de reuniões semanais, o tempo de duração das mesmas, será acompanhado ou não por um supervisor? etc.) (ZIMERMAN, 1997)

O planejamento é parte fundamental para o possível sucesso do trabalho em grupo, o coordenador não deve se esquecer de que no primeiro encontro deve se estabelecer as regras que deverão ser respeitadas pelos participantes, principalmente o que se refere à comportamentos desrespeitosos, atrasos e outras combinações que forem necessárias.
É visto que comportamentos mal adaptativos e atrasos são base de análise, no entanto, o coordenador deve estar atento para que não haja extrapolamentos, para que assim não seja prejudicada a dinâmica grupal, como também para que comportamentos disfuncionais não se tornem modelo e que não seja critério de reforçamento para outros participantes do grupo. Em grupos abertos, já em funcionamento, a entrada de um novo participante pode ter ar tensões, ansiedade.
Na abordagem da Terapia Cognitivo Comportamental a forma de desenvolvimento de um grupo se dá com um planejamento, sendo que a primeira etapa é realizado um levantamento das expectativas de todos, em que o Terapeuta/coordenador de grupo deve fazer uma explicação, que inclui os objetivos que serão trabalhados, as regras, como por exemplo, a confidencialidade do que for exposto por todos, deixar claro a necessidade de participação ativa, assim como deve prevalecer o respeito e a escuta do outro, e por último, explicar a importância das tarefas e seu fundamento (LIPP, et. al. 2012).
Algo que tem se percebido com dificuldades no Brasil e a adesão à tarefa de casa, notando que, se o coordenador utiliza desta técnica sem saber manejar adequadamente e com cuidado em realizar um bom entendimento do "para quê" é necessário realiza lá, pode então o terapeuta transferir a tarefa para os participantes do grupo como uma atividade infantilizada, ou seja, o participante pode sentir se como uma criança realizando uma "tarefa escolar" ou como pode ser dito por ditado popular, o famoso "para casa" escolar. Outro aspecto seguido pela TCC é que o terapeuta /coordenador ensina os membros a teoria do ABC, tendo objetivo de demonstrar aos participantes a importância das interpretações dos eventos, permitindo assim a mudança na forma de pensar, utilizando se da ferramenta de reestruturação cognitiva e, não obstante, procura desde a primeira sessão enfatizar que “todo comportamento aprendido pode ser desaprendido” (LIPP. et. al. ,2012).
Algo interessante que pode ser utilizado é receber o feedback de todos os encontros, assim terá como o coordenador poder saber como manejar os encontros seguintes, sendo que as perguntas podem ser criadas pelo coordenador de acordo com que ele percebe na dinâmica do grupo, sendo que ele pode escrever em papéis e deixar que no final de cada encontro os participantes fiquem a vontade para responderem ou não, deixando claro que essa tática tem funcionado em grupos com objetivos educativos, em que o coordenador terá a possibilidade de mudar a estratégia de acordo com as dificuldades levantadas pelos participantes.
De acordo com Zimermam (1997) é importante observar os tipos de resistência em que ele nomeia seis tipos que merecem registro, sendo:

“1. Silencioso: a experiência mostra que a melhor forma de manejar com esse tipo de paciente é ter paciência, fazer pequenos estímulos sem permitir uma pressão exagerada.
2. monopolizador: o manejo com esse paciente é o do continuo assinalamento de sua enorme necessidade de ser visto por todos, diante do intenso pânico de cair no anonimato, ficar marginalizado;
3. desviador de assuntos: como nome diz, trata se de um tipo de paciente que "capta" o risco de certos aspectos ansiogênicos, e consegue dar um jeito de mudar para assuntos mais amenos, embora interessantes;
4. atuador: como sabemos, as atuações substituem a desrepressão de reminiscências, a verbalização de desejos e conflitos, e o pensar as experiências emocionais; por essa razão, tanto no caso do indivíduo estar atuando pelos demais, ou se tratar de um acting coletivo, representa uma importante forma de resistência;
5. sabotador: a moda de um líder negativo, através de inúmeras maneiras, um indivíduo pode tentar impedir que um grupo cresça exitosamente e que os seus componentes façam verdadeiras mudanças, pois ele se revela como um pseudo-colaborador e prefere as pseudo-adaptações;
6. ambíguo: trata se de paciente que apresenta contradição em seus núcleos de identidade, por isso maneja os seus problemas com técnicas psicopáticas e com isso gera uma confusão nos demais, ao mesmo tempo em que aparenta estar bem integrado no grupo”.


O campo grupal é uma dinâmica que merece muita atenção, estudo e flexibilidade de quem for coordenar, por isso, quem se habilite a trabalhar com grupos torna se importante ter conhecimento e ganhar experiência com muito cuidado, respeito e ética por aqueles que se fazem aptos a serem ministrados por um líder.
Por fim, não menos importante, deve ser ressaltado a colocação de Bieling et. al. (2006), que “Expectativas positivas e sentimentos associados de esperança na recuperação relacionam-se a melhores desfechos terapêuticos".

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CONCLUSÃO

Perante tais conhecimentos expostos, nota se que o trabalho de grupos na saúde pública tem tido grande repercussão e importância no Brasil, visto que num país que trabalha sobre a perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS), no qual a Constituição Federal de 1990 garante saúde como direito de todos e dever do Estado, faz se de enorme relevância o processo grupal para atender tamanha demanda de unidades de saúde da família que buscam por prevenção, promoção e reabilitação da saúde, com intenção de diminuir agravos a saúde.
A fim de incentivar os profissionais de saúde da família a trabalharem com grupos, foi proposto a escrita desta monografia, permitindo que o profissional que se habilite a trabalhar com grupos possa ter qualidade em seu planejamento e certo manejo na condução do grupo.
Para tanto, ainda se faz mais que necessário investimentos e incentivos na rede pública de saúde para construção de trabalhos ofertados em forma de grupo, visto que por muitas vezes a unidade de saúde da família, referindo-se a realidade do Estado de São Paulo, ainda precisa de muita parceria e suporte para alimentar esse objetivo, que é o de cada vez mais ter a possibilidade de promover saúde a mais pessoas, mas com qualidade, não servindo como foco apenas numerais atendidos e sim pessoas como seres humanos, dignos de um ótimo atendimento público, com responsabilidade, tendo a Estratégia de Saúde da Família como realmente o que é proposto, sendo porta de entrada e promovendo saúde e prevenindo agravos, o que por vezes tem sido deslocado em algumas unidades de saúde, sendo privilegiado atendimento de “urgências”.
Entende se também que a saúde de modo geral encontra se um tanto escassa, mesmo que de certa forma através da reforma sanitária tenhamos tido êxito com a lei 8080/1990 e 8142/1990, considerando que os próprios prontos socorros possivelmente não tem conseguido dar conta de tamanhas demandas, visto que a população cresce a cada dia mais, e os investimentos na saúde são sem sã investiduras, mas o que não deve se perder é que as unidades de saúde da família tem um papel fundamental na construção do ser humano saudável, sendo que, é através destes profissionais que se pode atribuir saúde àqueles que precisam.
Por tanto o trabalho em grupo se faz primordial ao atendimento na ESF.
É importante ressaltar que um profissional bem preparado reflete segurança e eficácia em seu trabalho, entendendo diante deste trabalho de que há importância em que a rede pública de saúde invista neste profissional de forma a capacitá-lo para um trabalho adequado e com qualidade.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BIELING, P. J; McCabe, R.E; ANTONY, M.M.et al. Terapia Cognitivo Comportamental em Grupos, Porto Alegre: Artes Médicas, 2006, 365p.
BLÉGER, José, Temas em Psicologia: Entrevista e Grupo, 2° ed., São Paulo: Martins Fontes, 2003, 137p.
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Humaniza SUS Documento Base para Gestores e Trabalhadores do SUS. Brasilia, 2010, 49p.
CHIAVENATO, Idalberto. Seleção de Pessoas, In:______ Gestão de Pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. 130-166.
CORDIOLI, Aristidis Volpato, et. al. Psicologias: Abordagens atuais. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
LIPP, Marilda Emmanuel Novaes, et.al. Psicoterapias Breves nos diferentes estágios evolutivos. 1.ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2012.
ZIMERMAN, D.E; OSORIO, L.C. et al. Como Trabalhamos com Grupos, Porto Alegre: Artes Médicas, 1997, 409p.









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